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Zeferino Casagrande e Rita Irma Benedet 

 

 

Zeferino Casagrande nasceu 08 de outubro de 1926, em São Simão. Filho de José Casagrande e Cândida Colle.

Estudou até o segundo ano primário em São Simão. A escola ficava ao lado da igreja (capela). Era de madeira e estudavam todos na mesma sala. A professora era Amábile Pavan, uma mulher magra e uma professora muito querida.

Com a idade de 10/12 anos acompanhava o pai na serraria para aprender a serrar madeira, a trocar madeira e o passo da serra para serrar outra taboa da tora de madeira. A serraria era em sociedade com os irmãos Pacífico e João Fontana.

Com 16 anos, em 1942, começou a puxar madeira serrada para a praia do Rincão, onde o pai construía casas para os veranistas. Levou madeira para a construção de 6 casas. A viagem era feita de carro de boi.  Saia de São Simão às 04 horas da tarde e viajava à noite toda, para aproveitar o clima da noite e chegar na praia do Rincão por volta das 7 horas da manhã do dia seguinte. Durante a viagem, na ponte do Rio dos Porcos, na Vila Nova, tirava os bois da canga, dava de água e comida e descansava umas duas horas para poder seguir viagem. Zeferino descansava embaixo do carro de boi. Estendia um feixe de pendão de milho, que levava junto, para dar de comer aos bois, e deitava por cima.

Zeferino lembra que nesta época construíram as casas de Heriberto Hulse, Elias Angeloni, Leanddro Martingano, Abílio Paulo, José Zaccaron e João Zanette.

Na construção de uma das casas, Zeferino sofreu um sério acidente quando estava descarregando um carro de madeira. Um barrote caiu por cima do braço, provocando um corte profundo.  Haiti Naspolini, namorado de uma de suas irmãs, estava no Rincão de motocicleta e veio trazê-lo no hospital. Ficou internado no hospital durante um bom tempo. O Dr. Balsini fazia um tratamento com graxa patente e pó de café, colocando esta mistura em cima do ferimento. Depois de colocada a mistura o braço era envolvido com um lenço de palheta para reter o líquido. Lenço de palheta era o lenço que os homens usavam ao redor do pescoço como um adorno masculino. Durante a permanência aprendeu a aplicar injeção com a enfermeira Luiza, de Forquilhinha. Esta habilidade, Zeferino usou durante muito tempo, aplicando injeção de pacientes, no Bairro São Simão. Quando ia trabalhar na mina, por exemplo, passava na casa de pessoas doentes para aplicar as injeções. O estojo de com as agulhas e seringas sempre o acompanhava.

Em 30 de abril de 1949, casou com Rita Irma Benedet. Por causa do casamento, parou de trabalhar com a construção de casas na Praia do Rincão e arrrendou a serraria do pai e dos irmãos Pacífico e João Fontana. Tocou a serraria por uns 4 a 5 anos. Deixou de serrar madeira porque foi criada uma lei, nesta época, que exigia que cada árvore derrubada fosse planta outra no lugar.

Com o encerramento da serraria, passou a trabalhar na mina do Octávio Fontana, na mina da Poeira. Trabalhou como ajudante de mineiro do Lino Da Soller, o Lino Grande, cujo apelido era Patrola. O apelido era uma referência a sua habilidade de cortar a rafa de carvão. Ninguém na mina o superava neste trabalho. Depois passou a ser ajudante do Luciano Kanareck. Um certo dia, o Octávio Fontana deu um jogo de ferramenta para o Zeferino e ele passou a ser mineiro. Foi efetivado como mineiro junto com o Alberto Fontana. Os dois amigos passaram a trabalhar a meia. Um dos serviços na mina foi a de tocar a galeria que iria se comunicar com a mina de Antônio Denoni. Esta comunicação facilitava a circulação do ar, além de funcionar como uma saída de emergência. Aposentou-se na atividade de mineiro e deixou o trabalho na mina.

Durante a época que ainda trabalhava na mina colocou uma olaria com o Abramo De Villa, no terreno que o Abramo tinha comprado do Bepe Casagrande, pai do Zeferino. Na olaria fabricavam telhas e tijolos. A produção era toda feita à mão, apenas era usado um cavalo para tocar o amassador de barro. O barro era retirado das terras ao redor da olaria e transportado em balaios carregados por duas pessoas.

Como trabalhava na mina, os filhos trabalhavam na olaria junto com os filhos do sócio Abramo. Os filhos de ambos os sócios eram duas mulheres de cada um: Olívia e Iracema pelo lado do Zeferino e Teresinha e Ana pelo lado do Abramo. Só mais tarde é que entram os filhos homens: Hilário e Elói Casagrande e Joventino e Joaquim De Villa.

Depois de 25 anos de sociedade, como os filhos estavam crescendo, resolveram dividir o negócio, para que cada um pudesse acomodar a sua família. Na divisão, a olaria original ficou com o Abramo e, em contrapartida, ele ajudou a construir uma olaria para o Zeferino. Desta forma, cada sócio ficou com a sua olaria.

Em 1968, o filho Hilário propôs ao pai a construção de uma olaria mais moderna. Conseguiram um empréstimo, avalizado pelo Zeferino e deram início a uma nova era nos negócios da família. Da velha olaria, surgiu uma cerâmica moderna, tornando-se referência em produtos de qualidade. Esta cerâmica continua em atividade até hoje, tocada pelos filhos e produzindo produtos de primeira qualidade, vendidos em várias regiões do Brasil.

Embora, tenha chegado aos 87 anos, Zeferino lembra que já passou por doze cirurgias. Uma das cirurgias, ocorrida quando tinha 75 anos, foi para colocação de um marca passo. Dez depois, este marca passo foi substituído por outro, tornando seu companheiro inseparável.

Zeferino, afirma que quando era novo gostava de caçar, mas hoje se arrepende dos passarinhos que matou durante as caçadas. Durante duas oportunidades foi caçar com o Octávio Fontana e com os operários da mina na localidade de Pilão, na encosta da serra, em Nova Roma, município de Morro Grande.

Aos domingos, iam sempre à missa na Matriz São José, ainda na época do Padre Pedro Baldoncini. A missa era às 6 horas da manhã. Tinham que sair de casa às 4:30 da madrugada, no escuro. A caminhada era feita a pé, iluminada com o gás da mina, pelo meio de picadas. Zeferino e Irma levavam os filhos à missa. Teve época que iam três filhos: um no colo e dois maiores andando a pé. Depois de assistir a missa, chegavam em casa perto das 9 horas; vinham devagar por causa das crianças. Assim que chegava, Zeferino ia caçar. Naquela época havia muito mato ao redor da casa. Saia da porta e já estava no mato. Voltava ao meio dia para almoçar. A caça era nambu, tatu, bugio, macaco, aranquã e outros animais silvestres. Na parte da tarde, descansava até às duas horas e depois tinha que cuidar das criações e das galinhas. Irma ia lavar roupas e fazer o almoço.

Durante muito tempo fez mudas de eucalipto para plantar nos terrenos em São Simão, como o terreno que, na época, era de Celeste Zilli, atrás da capela de São Simão.

Entrou de sócio na plataforma do Rincão ainda antes de começar a sua construção. Depois de pronta ia quase que diariamente pescar na plataforma, junto com a esposa. Pescou na plataforma até a implantação do marca passo.

Zeferino mora até hoje na mesma propriedade onde nasceu. A primeira casa foi construída durante o noivado, onde foi morar com a esposa, após o casamento. Era uma casa simples, feita de taboa de costaneira. Depois, ao longo da vida, construiu mais cinco casas. Nesta propriedade, ao lado de sua casa, tem as casas de 05 filhos homens e de uma filha.

Rita Irma Benedet, nasceu no dia 02 de abril de 1931. Filha de Luiz Benedet e Josefina Menegon. Nasceu no Morro Estevão, em Criciúma.

Sobre o seu nome, Irma lembra que a mãe queria que fosse colocado o nome de Irma, mas como não tinha a santa Irma, a avó queria que colocasse o nome de Rita, já que existia a Santa Rita. O padre, numa atitude conciliatória, sugeriu que se colocasse o nome de Rita Irma Benedet, mas como a mãe gostaria que o nome fosse Irma, passou a chamar a filha só de Irma, como é conhecida pela grande maioria das pessoas.

Quando tinha a idade de 9 anos a família foi morar em Nova Roma, no município de Morro Grande, onde estudou até o terceiro anos primário. Era uma boa desenhista, fazendo, inclusive, os desenhos da própria professora. Como o pai trabalhava em Criciúma e a mãe ficava sozinha com os filhos, ela tirou Irma da escola para ajudar a cuidar dos outros irmãos mais novos.

Depois de quatro anos morando em Nova Roma, resolveram voltar para Criciúma, uma vez que o vento minuano sempre acabava com as plantações, fazendo com que a família, ao invés de prosperar, sempre enfrentava dificuldades maiores. Vieram morar na Próspera em um lote vendido pelo Dionísio Milioli, pago com mudas de eucalipto feitas pela mãe em 5 hectares de terra. Antes de vir morar em São Simão ajudava o pai, Luiz Benedet, que era carpinteiro, na construção das casas. Ajudava a segurar as taboas e a serrar as madeiras.

Até a idade de 16 anos viveu mais na casa dos avós, em Morro Estevão. Com esta idade veio para São Simão, morar na casa de Antoninho Casagrande e Carmela Benedet Casagrande para ajudar a cuidar dos filhos do casal. Carmela já tinha quatro filhos e era professora na escola de São Simão e estudava em Criciúma, fazendo o curso Normal. Por isso, Irma era quem cuidava de todos os afazeres da casa.

Quando tinha 13 anos de idade e ainda morando no Morro Estevão, foi uma festa na Santa Bárbara e lá viu pela primeira vez o Zeferino, que morava em São Simão. Conversaram um pouco, mas como Irma se achava muito nova não deu continuidade na conversa. Tempos depois, quando veio morar em São Simão, na casa de Antoninho Casgrande e Zeferino soube que estava lá, foi procurá-la. Deste reencontro começou o namoro. Noivaram por pouco tempo e, em seguida, veio o casamento. Irma tinha 18 anos e Zeferino 24 anos. O casamento foi só no religioso, na Matriz São José, e as bodas na casa do Bepe Casagrande, em São Simão. O casamento no civil foi feito dois anos mais tarde.

Depois de casar, Irma, sempre se dedicou ao lar e a criação dos filhos. Era de sua responsabilidade cuidar das criações para o sustento da família (porco, galinha, vaca de leite, fazer queijos) e do quintal.

Uma de suas maiores paixões é a pescaria. Sempre acompanhou o marido em suas pescarias na plataforma do Rincão. Depois que deixaram de frequentar a plataforma, por problemas de saúde do Zeferino, dedicou-se a criação de peixes no açude que tem em sua propriedade, perto da sua casa. Além da pescaria, Irma dedica-se, agora ao jardim da casa, no cuidado e plantio das flores que enfeitam e tornam o jardim um lugar agradável e aprazível de ver e admirar.

Descendência de Zeferino Casagrande e de Rita Irma Benedet

01. Olívia, casada com Jorge Puzinski. Filhos:
02. Iracema, casada com Francisco Puzinski. Filhos
03. Hilário, casado com Maria Graça Martingno. Filhos
04. Elói, casado com Ana Maria Horácio (divorciado). Filho: Eduardo. Casado com ……
05. Iraci, casada com Valdemar Patrício. Filhos:
06. Elédio, casado com Marlei. Filho:
07. Arlindo, casado com Rute Sobreano. Filho:
08. Ricardo, casado com Teresa. Filhos:
09. Maria Cândida, falecida.
10. Diana, casada Darci Formanski (viúva). Filhos:  Xixa (divorciado). Filha:
11. Rubens, casado com ……(divorciado). Filho
12. José Luiz, casado com Ângela. Filho: Gustavo
13. Renato, casado com Claudete (divorciado). Filhos: Michele e Lodrigo. Casado com Salete.
14. Roberto, casado com ….. Filhos:
16. Lourival, casado com Maria Aparecida. Filha: Bruna

Zélia, casada com Márcio Formanski. Filhos: Diego e Cleusa.

Zeferino Casagrande e Rita Irma Benedet com os filhos

Zeferino Casagrande e Rita Irma Benedet com os filhos

Zeferino e Rita Irma com filhos e genros e noras

Zeferino e Rita Irma com filhos e genros e noras

Zeferino e Rita Irma com os netos

Zeferino e Rita Irma com os netos

Rita Irma com o resultado da pescaria realizada no açude da propriedade

Rita Irma com o resultado da pescaria realizada no açude da propriedade

 

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