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Antônio Casagrande e Carmela Thereza Benedet 

Em 19 de março de 1916, no bairro São Simão, nascia Antônio, mas conhecido por Antoninho, o sétimo filho de Pascoal Casagrande e de Pierina Zacaron.

Ele foi criado pela sua bondosa cunhada Cândida, casada com seu irmão José (Bepe) Casagrande, pai do Zeferino Casagrande. Para registrar, foi copiada a data da morte no túmulo da sua mãe, Pierina Zacaron, que ele não chegou a conhecer, mas sempre falou nela com muita emoção.

A sua idade real sempre ficou na dúvida, porque alguns diziam que nasceu no dia da morte de sua mãe, mas foi registrado dois anos depois e ninguém esclareceu se o registro foi feito corretamente, restando a dúvida de dois anos para mais ou para menos.

Desde pequeno enfrentou o trabalho pesado e com seis anos tinha de fazer a polenta para levar na roça onde os outros irmãos também trabalhavam. Aos sete anos, foi à escola por dois meses e conseguiu se alfabetizar – era muito inteligente.

Cresceu trabalhando bastante. Na roça, trabalhou dos sete aos quinze anos, nas terras do irmão Bepe Casagrande, em São Simão. Ele contou que um dia, no meio do mato, ele viu um macaco e resolveu atiçá-lo. Não demorou muito que um monte macacos aparecer e o rodearam. Muito assustado, fugiu correndo para casa e, depois, voltou lá armado com um facão, mas já não tinha mais nenhum macaco. Foi um susto, aquela macacada toda!

 

Com dezesseis anos, o Antoninho foi trabalhar numa mina de carvão. O seu serviço era juntar carvão do chão com uma pá para colocar em cima de uma mesa onde quinze mulheres chamadas “escolhedeiras” separavam o carvão do rejeito chamado pirita. A mina era tocada pelos sócios Bepe Casagrande (seu irmão), Caetano Casagrande, José Vidoto e Antônio Denoni, todos moradores de São Simão.

Isto foi na década de 1930, o seu primeiro emprego. Depois, um dos sócios da mina, o seu irmão Bepe, comprou um carro de boi e uma junta para transportar carvão de São Simão para Criciúma e o Antoninho era o “motorista” do carro de bois. Mais tarde ele passou a ser o “caixeiro” do armazém de mantimentos que a mina mantinha. No seu segundo emprego, ele trabalhou com os empreiteiros de carvão José Darós e Cincinato Naspolini, na mina da Carbonífera Próspera, no bairro do mesmo nome. E foi assim até se casar, em 1940.

Antoninho era um moço muito bonito e tinha duas namoradas: Corina e Carmela. A Corina morava em Cocal (ao norte) e a Carmela morava em Criciúma (lado sul de São Simão). Um dia ele teve que se decidir com qual das duas ia se casar, saiu de casa montado no seu cavalo e chegou até uma encruzilhada da estrada principal Criciúma-Urussanga. Ali soltou as redás do cavalo que ele montava e pensou: “para o lado da estrada que o cavalo seguir – norte ou sul – eu fico com a namorada (respectiva) e caso com ela”. O cavalo virou para o sul, para o lado da Carmela. E no dia 26 de outubro de 1939, Antoninho noivou com Carmela Theresa, a inteligente e letrada professora. Casou-se em 22 de maio de 1940. E assim começou uma históira de amor imenso, de uma grande família: a Família Benedet Casagrande.

Antoninho e Carmela fixaram residência em São Simão, num terreno ao lado onde seria construída a igreja local. Carmela lecionava na escolinha da comunidade e cuidava dos serviços da capela e Antoninho trabalhava como encarregado na mina de carvão. Ele foi admitido como feitor (encarregado geral) no dia 05 de novembro de 1946, com carteira assinada, na Cia. Carbonífera de Araranguá. A sua casa ficava num pequeno morrinho com um grande pasto verde que descia até a estrada geral Criciúma-Cocal-Urussanga. Bem na beira da estrada, Antoninho abriu um pequeno armazém par vender alguns mantimentos básicos, à tarde, depois do horário da mina e nos finais de semana. Vendia pão, arroz, feijão, batatas, milho tirados com uma concha de dentro de um saco de 60 kg e pesados numa balança de ferro com duas bandejas, onde se colocavam os pesos de ferro de um quilo, dois quilos, cinco quilos e dez quilos.

Antoninho também ajudava nos assuntos ligados à política do município de Criciúma e do interesse da comunidade de São Simão. Foi inspetor de quarteirão, numa espécie de representante do Delegado de Polícia da época. Mais tarde foi vereador suplente na Câmara de Vereadores de Criciúma.

Do seu casamento com Carmela, que durou 57 anos, vieram 13 filhos. E mais quatro que não vingaram, por aborto natural.

Em 1954, Antoninho vendeu a propriedade em São Simão por oitenta contos de réis (mais ou menos oitenta mil cruzeiros) e no terreno que Carmela herdou do seu pai, construiu a casa da Rua Santo Antônio, em Criciúma, para onde passaram a morar. Para terminar a construção ele precisava comprar as telhas, então ele vendeu seu relógio de pulso. E assim terminou a casa. Quando vieram morar em Criciúma, Antoninho já era aposentado por invalidez: havia sido operado o estômago, de úlcera. Mas a aposentadoria era um salário mínimo, insuficiente para o sustento dos filhos.

Então ele foi trabalhar como carpinteiro junto com o seu cunhado Afonso, irmão de Carmela, e ambos fizeram o forro de madeira que existe até hoje na Catedral de Criciúma. Depois foi trabalhar na SIDESA que era do engenheiro Jorge Fridberg e do italiano Jorge Miraglia. Como já era aposentado, os sócios venderam algumas ações para Antoninho, que passou a ser um sócio minoritário, podendo trabalhar sem problemas. Ele comprava sucata de ferro para a fundição da siderúrgica. Ficou trabalhando lá até os seus setenta e dois anos, quando os filhos pediram para ele parar de trabalhar. Os outros sócios da siderúrgica fizeram uma churrascada com todos os empregados em sua despedida e em homenagem aos seus vinte e sete anos de dedicação. Como prêmio final, ganhou um relógio de pulso e recebeu um cheque de 100.000 cruzeiros, que ele devolveu aos sócios, por não se achar (equivocadamente) merecedor de receber… Era um exemplo de honestidade excepcional.

Antônio Casagrande faleceu em 31 de julho de 2012, com 98 anos de idade.

Carmela Thereza Benedet

Em 16 de julho de 1921 nasceu Carmela Thereza Benedet, filha de Antônio Benedet e Júlia e neta de Lorenzo Benedet e Regina Sonego Benedet. Nascida e criada em Morro Estevão, onde seus pais moravam.

Carmela, desde muito cedo demonstrou interesse pelos estudos e por esta razão veio muito jovem morar em Criciúma, na casa do tio César Benedet. Seu grande sonho era ser professora, pois sempre acreditou que este seria o melhor caminho. Ainda solteira, lecionou no antigo Grupo Escolar Professor Lapagesse e logo que casou, lecionou na escolinha primária de São Simão, sendo a primeira professora daquela localidade e onde marcou a sua presença como professora de uma geração de moradores de São Simão.

No dia 16 de outubro de 1939, com dezoito anos, ficou noiva de Antonio Casagrande e casou-se no dia 22 de maio de 1940, na Matriz São José de Criciúma, abençoados pelo Padre Pedro Baldoncini. De início, fixaram residência no bairro São Simão, onde ela lecionava e também se dedicava aos serviços comunitários. Como católica fervorosa, gostava de ajudar nos serviços da Capela. Era ela que hospedava os padres que iam lá rezar missa e fazer outros serviços religiosos.  Foi uma catequista marcante na capela de São Simão, sendo responsável pela preparação de várias turmas.

Em 1948, formou-se professora primária no antigo Curso Normal Regional Nicolau Pederneiras, no prédio do atual Colégio Professor Lapagesse. Nesta época ela já tinha cinco filhos.

Ainda em São Simão, em junho de 1952, Carmela ficou seriamente doente e o Antoninho teve que levá-la para Porto Alegre. Lá, ela ficou quatro meses internada na Santa Casa. Os cinco filhos pequenos ficaram cada um na casa de um comprade: um na casa da tia Maria de Cocal, outro na casa do Octávio Dassoler e outro na casa dos padrinhos, Maria e Tomaz Henrique. Para poder custear as despesas com o táxi de Criciúma à Porto Alegre, Antoninho pediu cinco conto de réis emprestado para o seu compadre Lino Dassoler. Depois que saiu da Santa Casa, ela ficou na casa do Ricardo, irmão do Antoninho, que morava em Porto Alegre, e continuou o tratamento no Hospital Espírita.

Para poder pagar as despesas com o tratamento, Antoninho começou a vender o que tinha, começando pela casa da praia e terminando com a aranha e o cavalo. Quando Carmela voltou para casa, no dia 08 de agosto de 1952, ela havia esquecido muita coisa, até o latim e o alemão, que havia aprendido no seu tempo de estudante.

Seu sonho maior era proporcionar uma educação de boa qualidade para os filhos. Entretanto, o aperto financeiro impedia-a de matricular tantos filhos em colégios particulares, como ela queria. Assim, os mais velhos naturalmente ingressaram em escolas públicas. Os mais novos, a custas de “papagaios” (empréstimos), estudaram em escolas particulares. E assim Carmela tocava a vida, com renúncias pessoais e abdicação quase total da vaidade que não lhe permitiam pensar em si mesma. O foco era sempre a família. A motivação vinha dos filhos que sempre correspondiam e lhe enchiam de orgulho quando apresentavam as notas do boletim da escola.

Com a aposentadoria Carmela não parou. Foi na assistência aos doentes no Hospital São José que ela continuou em novas atividades. Passou a integrar e coordenar o grupo de Samaritanas, permanecendo lá por mais de quinze anos. Ela também gostava de viajar para rezar e organizou muitas visitas a santuários: montava grupos da terceira idade que lotavam ônibus. Organizou visitas a 72 igrejas e 17 grutas, tendo por preferência o santuário de N. S. Aparecida, em São Paulo e Padre Réus, no Rio Grande do Sul e, por último, a campeã das visitas: o santuário da Madre Paulina, em Nova Trento, SC.

Carmela faleceu em 1998. Numa caderneta, sua filha encontrou duas frases escritas por ela:

Quem sente a presença de Deus, não terá medo de assumir as suas funções e compromissos”.

“Se as tuas realizações forem vistas com indiferença, não desanimes, pois o Sol ao nascer dá um espetáculo todo especial e a plateia continua dormindo”.

Numa homenagem e em reconhecimento aos serviços prestados à educação do município de Criciúma, principalmente do bairro São Simão, em 16 de março de 2011, a creche do bairro passou a ser denominada: CEI AFASC CARMELA BENEDET CASAGRANDE.

 Descendência de Antônio Casagrande e Carmela Benedet

  1. Zairo, faleceu quando criança
  2. Zaneide, casada com Alirio Hercílio Lima. Filhos: Ingrid, Carla e Fernando.
  3. Zenaide, casada com Munir Elias Ferreira. Filhos: Cristine, Gisele, Karina, Alexandre e Filipe.
  4. Zuleide, casada com Romeu Santana. Filhos: Sandra e Gilberto
  5. Zuleima, casada com Enedir Perraro. Filhos: Graziela, Eduardo e Giovana
  6. Zélio, casado com Marilene Silva de Orleans. Filho: Pedro.
  7. Zélia, casada com Luiz Gonzaga Cesconetto. Filhos: Lucas e Alice
  8. Zaira, casada com Walter Nei Junqueira. Filhas: Beatriz e Débora.
  9. Zulmar, casado com Juliane Canarin. Filhas: Michele e Heloísa.
  10. Zalmir, casado com Anie Juçara Fabris. Filhos: Paula e Arthur.
  11. Zairo, casado com Andréa dos Santos. Filhos: Thaís e Gustavo.
  12. Zulnei, casado com Ieda. Filhos: Luiza e Carolina (gêmeas) e Mateus.
  13. Rogério, casado com Adriana Bongiolo. Filhas: Giúlia e Isabeli

 (Informações e fotos fornecidas por Zenaide Casagrande Lima)

Antônio Casagrande e Carmela Thereza Benedet com os filhos

Antônio Casagrande e Carmela Thereza Benedet com os filhos

Filhas de Antônio e Carmela Casagrande - Da esquerda: Zenaide, Zuleima, Zuleide, Zaira, Zaneide e Zélia.

Filhas de Antônio e Carmela Casagrande –
Da esquerda: Zenaide, Zuleima, Zuleide, Zaira, Zaneide e Zélia.

Filhos de Antônio e Carmela Casagrande -  Da esquerda: Rogério, Zélio, Zairo, Zulmar, Zulnei e Zalmir

Filhos de Antônio e Carmela Casagrande –
Da esquerda: Rogério, Zélio, Zairo, Zulmar, Zulnei e Zalmir

 

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